Publicado em: 09/10/2026
Roda de conversa realizada na Rio Ocean Week 2026 mostrou como o mergulho autônomo pode ir além do esporte e se transformar em ferramenta de inclusão, educação, pesquisa e cultura oceânica. Foi a partir dessa perspectiva que a roda de conversa “Mar de Encontros - Mergulho autônomo como ferramenta para o encantamento, cultura oceânica e a transformação social” mediada por Isis Viana, do projeto Costão Rochoso. A conversa reuniu Isabelle Ramos e Luiz Silva, do Kafango Verde; Cláudio Ferreira, da CBES/UNICIVE; e Luiza Regina, também do projeto Costão Rochoso. A proposta era discutir como a experiência de estar debaixo d’água pode criar vínculos com o oceano, abrir caminhos para a ciência e fortalecer o sentimento de pertencimento.
Ao longo da conversa, o mergulho apareceu sob diferentes perspectivas para além de uma prática esportiva ou de lazer, foi apresentado como uma possibilidade de formação, uma ferramenta de inclusão e uma porta de entrada para novas oportunidades profissionais. A discussão também abordou segurança, turismo, economia local, educação ambiental e a aproximação das pessoas com o ambiente marinho. Entre os pontos centrais esteve a capacidade do mergulho de criar comunidade.
A ciência também ocupou um espaço importante nessa conversa. O encontro discutiu a relação entre formação técnica, universidades, pesquisa e mergulho científico, mostrando como a experiência prática no mar pode dialogar com o conhecimento acadêmico. Para Isis Viana, bióloga do projeto Costão Rochoso, participar da roda foi também uma experiência de reconexão com o significado do próprio costão.
“Sair da roda de conversa ‘Mar de Encontros’ foi como levar o mar no peito, não só pelas histórias de mergulho, mas pela certeza de que o oceano cabe num costão, num olhar, num encontro.”
A fala sintetiza uma das ideias que atravessaram o encontro: o oceano não está distante. Ele também está nos territórios costeiros, nas experiências vividas pelas pessoas e nos encontros que ajudam a construir uma relação mais próxima com o ambiente marinho. “Ver como o mergulho conecta gente, gera pertencimento, abre portas na ciência e vira cuidado me tocou profundamente”, completa Isis. Para ela, essa experiência também amplia o significado dos costões rochosos, que passam a ser compreendidos não apenas como ambientes naturais, mas como espaços de aprendizagem e conexão.
Assim, o “Mar de Encontros” terminou sem se limitar a falar sobre o que acontece debaixo d'água, mostrando que a conversa pode acontecer a partir desse encontro com o mar: novas perguntas, novas trajetórias, vínculos com o território e, sobretudo, outras formas de cuidar do oceano.